Paris é também conhecida como “cidade-luz” não por causa dos monumentos bem iluminados ou da quantidade relativamente grande de postes distribuídos pelas ruas e avenidas. O termo foi cunhado por causa das pessoas que lá habitam. O apelido foi concedido porque, durante séculos, Paris atraiu “pessoas iluminadas”, como artistas, pintores, pensadores, arquitetos, bailarinos e músicos, que se mudaram para a capital da França tornando-a o maior centro de artes do mundo. Paris, de fato, respira e transpira arte.

Eu não sou muito fã de passeios turísticos, mas há locais imperdíveis em Paris – nem que seja para, ao menos, colocar um visto no checklist de lugares visitados. Quem vai a Paris, sobe a Torre Eiffel.

A partir das 20h até a meia-noite, a torre, além de iluminada, torna-se piscante. O espetáculo ocorre por 5 minutos e sempre inicia na hora fechada

Vale a pena tentar a subida em um dia de semana, pela manhã ou no final da tarde (já dá pra imaginar a muvuca de turistas tentando o mesmo, né?!). A torre está dividida em duas partes, o chamado “segundo andar” e o topo. Além disso, a subida é possível de duas maneiras: Por escadas, que levam apenas até o segundo andar, e de elevador – que é panorâmico!

Eu visitei a torre no final da tarde de uma terça-feira e somente um dos três elevadores estavam funcionando, apesar de haver fila de espera de mais de 1 hora apenas para comprar o ticket. Como eu não li nada sobre a torre antes, acabei optando por comprar o bilhete para subir de escadas até o segundo piso e, de lá, decidiria se valia a pena subir o resto. É possível subir o primeiro trecho de escadas e depois comprar uma espécie de ticket aditivo para continuar a maratona. De qualquer forma, quem sobe até ali de elevador precisa descer e trocar de veículo para continuar o tour.

Eu sempre tive medo de altura e acredito que o perdi subindo os 704 degraus que separam o segundo andar da torre do solo. São 115 metros de altura e, depois de cumprir cerca de 2/3 do trajeto, a única coisa que eu conseguia fazer era continuar agarrada em um corrimão sem me mexer. E lá fiquei um bom tempo, gritando e tremendo de medo. Algumas pessoas passavam por mim e me encorajavam a seguir adiante. Eu tentei não olhar pra baixo, já que os degraus são vazados e a única coisa que protege o pedestre da queda são umas gradezinhas. A subida pela escada é feita por um dos pés da torre. É uma experiência incrível – apesar de eu quase ter morrido. O que valeu mesmo foi perder o medo de altura depois de encarar o desafio 🙂 Para saber mais sobre os preços de ingressos e horários de funcionamento, clique aqui.

É possível enxergar a torre da maioria dos pontos de Paris, mas o espetáculo mesmo é enxergar Paris inteira do topo da torre

A capital da França é cidade-luz por causa dos artistas e pensadores que se mudaram pra lá… mas olha quanta luz (elétrica!)

Eu com cara de feliz (?!?) depois da tensão na escada e de pegar o elevador até o topo gritando: “VAMOS TODOS MORRER!” em inglês

Paris engana um pouco na questão temperatura. Uma dica importante é sempre levar um casaquinho ou um cachecol, até porque o vento castiga um pouquinho, seja inverno, primavera ou outono. No verão, acaba sendo um inferno a maioria do tempo como qualquer outra cidade europeia.

Se a intenção é conhecer os pontos turísticos, há uma lista gigantesca. Os mais importantes, no entanto, podem ser visitados em dois dias de passeio. Além da torre, entram na lista a Notre Dame (fila gigante para entrar e precisa pagar, então desisti), o Moulin Rouge (apenas para tirar uma foto na frente, apesar de ser possível assistir a um espetáculo lá a uma quantia que inicia em 100 euros) e a basílica de Sacré-Cœur, que fica no topo do Montmartre e de onde também é possível ter uma vista espetacular de Paris (torre inclusive). O Moulin Rouge, a cafeteria da Amélie Poulain (onde ela trabalhava no filme) e a basílica ficam muito próximos, todos em Montmartre a uma distância caminhável. Aliás, eu diria mais: O mais legal de Paris é caminhar e se perder pelas ruas, ou seja, economizar com transporte público é lei.

A Notre Dame fica coladinha ao Sena, em uma espécie de ilha que o rio forma com seus canais. As pontes ali próximas costumavam estar abarrotadas de cadeados (mas eu li que a prática foi proibida e todos os cadeados foram eliminados, o que é uma pena). A 10 minutos de caminhada dali localiza-se o Centro Pompidou, que abriga uma biblioteca, centro de artes e museu. Um dos arquitetos que assina a edificação é Renzo Piano, italiano que construiu os prédios da Colline Notre-Dame du Haut onde fica a Catedral de Ronchamp, obra de Le Corbusier.

Eu li em algum lugar que retiraram todos os cadeados com juras de amor eterno das pontes de Paris por causa do peso e risco de desabamento 🙁

Se o tempo for de chuva ou a intenção do passeio foi mais artística, Paris está abarrotada de grandes museus e pequenas galerias de arte. Os mais conhecidos são o Louvre e o Musée d’Orsay. É possível comprar ingressos combinados para os dois – aliás, o ingresso inclui mais uma penca de museus – se a vontade de explorar museus falar mais alto. Agora, sinceramente, eu acho super desnecessário, a não ser que a viagem a Paris dure mais de 10 dias. Visitar o Louvre, beleza. Agora, se enfurnar dentro de uma tonelada de museus só para dizer que conheceu, daí haja paciência. A Paris de verdade está nas ruas, nos cafés, nas cadeiras viradas para as calçadas onde senta-se para observar o movimento.

As ruas de Paris são um pouco complicadas de entender. Ali não vale aquele pensamento básico de orientação nas grandes cidades que surgiram após a Revolução Industrial: “Se eu fizer a volta na quadra vou cair na rua de trás da que estou”. Não, em Paris não funciona porque as quadras são confusas, as avenidas, transversais, e a cidade está divida em 20 arrondissements (ou distritos) divididos em forma de caracol. É fácil de se perder, mas é aí que mora a graça.

O metrô da cidade tem 16 linhas, numeradas de 1 a 14 e mais duas (3bis e 7bis), que são ramificações de outras duas linhas (da 3 e da 7!). Se a intenção é cruzar a cidade ou não caminhar muito, uma voltinha por alguns dos 214 quilômetros do metrô é sempre bem-vinda. O ideal é comprar, logo no aeroporto, o ticket que permite 10 viagens, pois o preço sai mais em conta que comprar unitário.

Até a entrada da estação de metrô vale a pena ser fotografada. Métropolitain é como se chama o metrô em Francês

Essa é a minha parte preferida de Paris. Pausa para um café com uma Perrier para observar aqueles que passam pra lá e pra cá

E se o tempo estiver chuvoso, abusa-se das cafeterias com toldo ou pode-se ainda espiar os passante pela janela. Esse café é do Mc Donald’s na Champs

Apesar de a culinária francesa ser famosa mundialmente, não posso dizer que sou fã. Acho tudo muito gorduroso (qualquer tipo de carne) ou extremamente saudável (e as saladas vêm sempre com molhos brancos ou maionese, algo que odeio). Um dos lanches, que também serve de almoço, é a baguete. Sanduíches de qualquer coisa em baguetes que são vendidos em qualquer uma das milhares de mini-lanchonetes-lojinhas-de-conveniência espalhadas pela cidade. O problema: Sempre tem maionese e, como não são feitos na hora, não há como pedir para tirar. Sim, eu sofri para comer em Paris (mas sempre há um Mc Donald’s que salva, amém!).

Eu meio que fui obrigada a comer macarons porque estava em Paris. Na boa, alguém gosta disso de verdade ou eu que sou chata?

E se a intenção foi comprar, uma passadinha pela Champs-Élysées é o ideal. Ali concentram-se a maioria dos grandes magazines, desde aquelas lojas carrérrimas de marcas até as H&M’s da vida. No final (ou no começo?) da Champs fica o Arco do Triunfo. Vale a pena a caminhada de ida e volta pela avenida para “ver as moda”, se esquivar da muvuca e completar o passeio com um fotinho ao lado do arco.

Muita gente não gosta porque está abarrotada de turistas do mundo todo, mas a Champs-Élysées é e sempre será o coração de Paris

 

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