Eu levei muito tempo para decidir conhecer Amsterdam. Isso porque a cidade nunca esteve na minha lista de prioridades e nunca me despertou atenção. Para mim, Amsterdam era apenas um lugar onde as pessoas iam para ficar bêbadas, ver mulheres semi-nuas em vitrines e fumar maconha. A minha percepção mudou. Aliás, MUDOU MUITO. Depois de ir a primeira vez para lá no verão, ficou mais fácil de me convencer a voltar de novo, no inverno. E eu já estou com a terceira viagem agendada.

Amsterdam irrita um pouco por causa da quantidade gigantesca de turistas – são quase 5 milhões de visitantes por ano em uma cidade que mal alcança 900 mil habitantes. E a maioria desses turistas vai em busca das mesmas coisas: Ver as mulheres peladas se exibindo nas vitrines do Red Light District e fumar maconha na rua ou nos famosos coffeeshops. Por esse motivo, a prefeitura pensa em implementar uma nova lei de Turismo, cobrando taxas turísticas maiores de quem deseja visitar a cidade. Isso também ocorre porque o ticket médio (a quantidade de dinheiro que cada turista deixa por lá) é baixo. Amsterdam quer qualificar seu turismo, mas ainda não tem planos concretos sobre como fazer isso.

Amsterdam é a capital da Holanda (apesar de o governo estar todo em Haia), é super cosmopolita e liberal. Após passar alguns dias caminhando por lá, no entanto, descobre-se que Amsterdam é fácil de entender e pequenina (pelo menos, na região central, em meio aos canais, onde a muvuca fica concentrada). A cidade também é famosa pela grande quantidade de bicicletas, que ocupam boa parte dos “estacionamentos” nas vias. Por ter uma topografia quase que 100% plana, fica fácil de pedalar – e as ciclovias e ciclofaixas ajudam no deslocamento. Os holandeses são fãs de utilizar a bicicleta para tudo – desde ir ao trabalho até fazer compras no supermercado (por isso que acoplam cestinhas enormes nas bikes). Os turistas também entram na onda de pedalar. O aluguel de um bicicleta por 24 horas fica em torno de 15 euros, e o preço varia conforme a época do ano.

As pontes dos canais servem de estacionamento. Um bom cadeado e corrente são recomendados, pois o crime mais comum é roubo de bicicleta

Ao meu ver, existem CINCO coisas que não dá para deixar de fazer em Amsterdam. O melhor de tudo, é que dá para utilizar bicicleta para se deslocar até cada uma das cinco paradas.

ADMIRAR OS CANAIS: Amsterdam fica cinza no inverno, mal se vê a luz do Sol e, se ela aparece, é por pouco tempo. Por causa da grande quantidade de água em meio à cidade, é normal formar uma espécie de névoa (ou, talvez, seja fumaça de cigarros…). Às vezes pode nevar, mas isso é cada vez mais incomum nos invernos europeus. Há alguns anos, os canais da cidade congelavam no inverno e muitas pessoas brincavam de patinação no gelo. Nos últimos anos, entretanto, isso não ocorre. No verão, Amsterdam fica colorida e há flores nas bordas e pontes dos canais. Pode fazer bastante calor, chegando aos 30 graus.

Quem tem bicicleta própria, adora personalizá-la. Seja velha ou usada, sempre dá-se um jeitinho de torná-la mais atraente

FOTOGRAFAR NAS TAIS LETRAS: Sim, todo mundo quer uma foto no mesmo lugar, trepado em uma das letras de I AMSTERDAM. O local fica abarrotado de turistas, todo em busca do clique perfeito, que nem sempre é possível. O melhor é passar por lá mais cedo (antes das 10h) e preferir os dias de semana para fotografar com menos gente na paisagem. As letras ficam em Museumplein (ou Praça dos Museus). Para quem não tá afim de encarar a subida nas letras, há sempre a possibilidade de fotografar em um das centenas de bancos que abrigam a frase semelhante.

É preciso fazer um pouco de ginástica para subir nas letras, pois não qualquer tipo de suporte que auxilie. O jeito é pedir “pezinho” pros amigos

No inverno, um trecho da Museumplein, que é cercada pelos principais museus da cidade, transforma-se numa gigantesca pista de patinação no gelo. O gelo é de verdade. Os patins podem ser alugados no local. Patins mais ingresso para utilizar a pista pelo dia inteiro (se quiser e aguentar!) fica em torno de 12 euros. Quem já tem os patins, paga apenas pelo ingresso. No entorno da pista, há uma feirinha de Natal, com diversas comidinhas gostosas e típicas da Holanda.

Já no verão, o cenário do local é totalmente diferente (mas não menos atraente). Alguns bares colocam mesas e guarda-sóis na praça, o que torna o lugar ideal para um descanso pós caminhada turística. Mas, atenção: Comer e beber ali é caro.

O cenário no inverno muda totalmente. Todo mundo de patins em frente a I AMSTERDAM na Museumplein

VISITAR O MUSEU COM NOME IMPRONUNCIÁVEL: A Museumplein também abriga o Rijksmuseum, um dos mais importantes da cidade – e, provavelmente, o maior. O museu abre todos os dias das 9h às 17h (atenção para as datas festivas, quando fecha), e a entrada para adulto custa 24 euros. Não há desconto para estudante e nem vale a pena insistir. Quem quiser pagar menos, pode optar por comprar antecipado pelo site do museu. Daí paga-se 17,50 euros.

CURTIR A ARQUITETURA: Amsterdam é uma cidade bem antiga que teve a sorte de não ser destruída em nenhuma guerra. Surgiu como uma vila de pescadores, que depois tornou-se o porto mais importante da Europa por muito tempo. Há 200 anos, era o principal um ponto de comércio do continente, sendo rota de diamantes e ouro – extraídos das colônias africanas – e funcionando como um centro financeiro.Entre os seus residentes famosos estão Anne Frank (cuja casa onde se escondeu durante o período nazista, abriga hoje um museu), o artista Vincent van Gogh e o filósofo Baruch Spinoza.

Vale a pena caminhar e se perder entre os canais do Centro de Amsterdam apenas para admirar a fachada das casas seculares

As casas tem um visual super antigo, com lajotas escuras na fachada. Alguns dos edifícios próximos aos canais passam a impressão que vão desabar para dentro da água a qualquer instante. Apesar da aparência rústica e antiga, a maioria das casas holandesas são super bem decoradas por dentro e hiper práticas. Os holandeses investem em um estilo mais clean e funcional.

COMER BITTERBALLEN: O formato não lembra, mas o gosto é semelhante a um croquete. Eu particularmente achei as Bitterballen um pouco gordurosas – e experimentei em mais de um lugar. Qualquer boteco, restaurante ou, até mesmo, tenda em feirinha vende. São recheadas com diferentes sabores. A mais tradicional é a de carne de vaca (Rund). Para acompanhar, dá para pedir uma das milhares de marcas de cerveja holandesas (até a Heineken tem gosto diferente na Holanda, muito mais saborosa). Por ser colada à Bélgica, há também várias opções de cerveja daquele país. Um espetáculo.

Comprei essas Bitterballen em uma feirinha de comida, estilo Foodtruck indoor. Vale a pena provar, pelo menos, uma de cada sabor

Caso as sugestões de passeio não agradem, dá sempre para remediar. O Red Light District começa a ficar movimentado a partir das 20h, todos os dias. É interessante dar uma volta por lá, nem que seja para admirar o canal – que tem uns patinhos muito simpáticos sempre nadando, no verão e também no inverno. Ah, também dá pra espiar as meninas nas vitrines fazendo propaganda de seus corpos – caso os patinhos não cativem. A prostituição é legalizada em Amsterdam. Há ainda algumas casas de shows com sexo ao vivo e inúmeras sexshops (mas não me peça informação sobre isso, pois não frequentei e não sei preços também, ok?!). A maioria das festas e casas noturnas concentram-se por aquela região também.

Se o negócio é fumar maconha, já que na Holanda isso também é legalizado desde a década de 70, recomendo o Bulldog. Há pelo menos dois ou três lojas da marca pela cidade, e o atendimento é bom (os caras falam inglês e você pode explicar o que deseja comprar e eles indicam). O negócio dos caras cresceu tanto, que hoje o Bulldog, que começou apenas como coffeeshop já possui até um hotel próprio. Há inúmeros outros “cafés” com esse intuito espalhados pela cidade, basta encontrar o mais simpático e ali sentar.Para quem não gosta de fumar, mas quer experimentar alguma coisa, pode pedir um cookie de Canabis ou um Weed Muffin. Recomendo apenas ficar atento aos seus pertences, pois como a quantidade de turistas nesses locais é muito grande, eles acabam também sendo muito visados por pickpockets.

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