Um dos lugares mais populares do mundo onde é possível conferir de perto a Aurora Boreal é Tromso, a cerca de 1.700 quilômetros da capital da Noruega, Oslo. O fenômeno é visível no Hemisfério Norte de abril a setembro – no verão, a luminosidade é tanta e dura por tantas horas que fica impossível enxergar as luzes no céu. Para não arriscar, o ideal é se aventurar em busca da Aurora no Círculo Polar Ártico entre dezembro e março. No inverno, há menos horas de sol por dia, o que facilita a busca pelas luzes que só se revelam com o céu escuro. No verão, as localidades a Norte do Círculo Polar, ou seja, a mais de 65 graus de latitude, presenciam outro fenômeno, o chamado sol da meia-noite, quando o sol nasce e se põe praticamente ao mesmo tempo. O ápice ocorre em 21 de junho, dia de solstício no Hemisfério Norte – quando a primavera de vai e dá espaço ao verão.

Mas o sol da meia-noite é papo para outro post. O foco aqui é a Aurora.

É possível enxergar a Aurora sem sair do centro de Tromso. Apesar da luminosidade dos postes, casas e estabelecimentos, às vezes as luzes aparecem com intensidade suficiente tornando capaz de serem facilmente reconhecidas no céu. Isso é, se não houver nuvens.

Se não houver sorte em meio às luzes da cidade, o ideal é optar por um das centenas de passeios oferecidos no escritório de Turismo de Tromso e sair à noite à caça da Aurora. Um tour de 5 horas com os caçadores de Aurora custa em torno de 100 euros. Não há, no entanto, a garantia que o espetáculo será observado. Os guias sempre tentam encontrar lugares inóspitos, sem iluminação artificial, o que faz com que as chances aumentem. Há alguns tours que oferecem a possibilidade de uma segunda chance: Se você não conseguir ver a aurora, pode retornar na noite seguinte e ganha um desconto.

Há tour de todos os jeitos e formatos. Alguns oferecem trajes especiais, os chamados overalls (que eu super recomendo porque fica impossível observar o céu por mais de cinco minutos quando o corpo inteiro está tremendo de frio). Há tours que duram nove ou dez horas – o que também não garante a observação se o céu não estiver para peixe. Há grupos maiores, com 50 ou 60 pessoas, menores e até mesmo individuais. Há passeios que levam todos os turistas para um mesmo local, uma espécie de acampamento, onde podem intercalar a observação com um chazinho em uma cabana. Tudo depende do gosto e do bolso do freguês.

Eu estive em Tromso em janeiro de 2017 e optei por um tour curto, de 5 horas, com 14 pessoas (essa era a lotação máxima). Paguei 1000 NOK, com direito a overall, fotos grátis feitas com câmera profissional pelo motorista da van (que é um senhor norueguês mega divertido, que fala pouco inglês, mas faz esforço para contar histórias), café, chocolate quente (que esfria em dois minutos tamanho o frio) e bolachinhas. Aliás, levar consigo uma câmera profissional é super importante, isso porque não dá para registrar as luzes com a câmera do celular – é preciso utilizar baixa velocidade e alta exposição. A maioria dos tours oferece tripés para que os turistas não precisem carregar os seus de casa e possam estabilizar a câmera para os cliques.

Eu, bem feliz e quentinha com meu overall. Tive que tirar a parte de cima, pois havia um sinalizador que estragava as fotos

O mini-ônibus realizou três paradas. Uma ainda dentro da cidade de Tromso, onde pudemos observar alguns feixes de luz em tonalidade verde. Depois, seguimos por uma estrada em direção Norte. Paramos no acostamento, pois ali enxergava-se algumas luzes também. Estava muito frio. O ponto alto foi a última parada, onde também ficamos por mais tempo, cerca de 2 horas – tempo suficiente para se divertir batendo foto ou apenas observando o movimento da Aurora no céu.

Para quem não sabe, o brilho colorido é resultado do impacto de partículas de vento solar com a atmosfera da Terra. O campo magnético do planeta defende a superfície e canaliza essas partículas, que podem ser observadas apenas nos pólos (há também Aurora no Hemisfério Sul, também abaixo de 65 graus de latitude). Quando maior a atividade solar, aumenta a possibilidade de ver a Aurora – ou seja, não é apenas uma noite escura de céu limpo que garantem o espetáculo. Há diversas apps e sites que prevêem a atividade solar e indicam os melhores dias para a observação.

As luzes se movimentam e é até um pouco engraçado assistir. Elas somem e voltam. Se mexem freneticamente. Todos ficam com os olhos vidrados no céu tentando adivinhar em qual ponto as luzes irão aparecer novamente. Quando surgem, há sempre gritos de espanto e emoção. Parece algo de outro planeta, sobrenatural.

As luzes ficam verdes apenas na foto – mas a coloração também varia de acordo com a reação química sofrida pelas partículas aos se chocarem com a atmosfera. O verde é a cor mais comum, mas também aparecem luzes avermelhadas, roxas ou amarelas. A olho nu, enxerga-se a Aurora com uma coloração mais esbranquiçada, um pouco mais líquida (como se a cor estivesse misturada à água). Às vezes, enxergam-se faixas luminosas, noutras, as luzes tomam boa parte do céu em uma espécie de balé.

Mas não se engane: A maioria das fotos que se vê publicadas pelas Internet afora da Aurora foram clicadas com um tempo de exposição muito alto, ou seja, registram vários dos movimentos das luzes (mas não quer dizer que eles tenham ocorrido todos ao mesmo tempo).

As luzes do Norte brincando e dançando no céu de alguma localidade perto de Tromso

Observar o fenômeno a olho nu é bem menos atraente do olhar as imagens na tela do computador. Apesar disso, presenciar as luzes polares ao vivo é uma experiência única, que não sai da memória. Mesmo que a câmera fotográfica não registre os melhores momentos, vale a pena encarar a viagem (e gastar uma boa grana) só para observar o espetáculo uma vez na vida.

SERVIÇO:

O quê? Observação da Aurora Boreal

Onde? Tromso, Noruega

Quando? De abril a setembro, sendo que os melhores meses de observação são os de inverno

Quanto? Em torno de 1000 NOK

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