O cheiro de dinheiro ainda impregnou nas minhas narinas. O olor da riqueza é tão forte em Munique, capital da Bavária, no Sul da Alemanha, que talvez seja o que chame mais atenção na cidade. München (essa é a grafia em alemão) é intensamente calma. Se fosse possível descrever o paraíso (aquele para onde os bons vão depois que morrem), certamente pareceria-se com München. As pessoas aparentam não terem preocupações: quando se vive numa cidade cara, mas onde remunera-se extremamente bem, tranquilidade é o que não falta. Para os turistas, a visita vai pesar um pouco no bolso.

Passei um final de semana em Munique. Encontrar carros velhos, gastos ou extremamente antigos na rua é um desafio. Está todo mundo bem vestido e comportado. Os alemães de München sorriem e fazem amizade facilmente. Perdi a conta com quantos donos de cachorros fiz amizade em restaurantes (na Alemanha, tratam-se os cachorros como gente, e eles frequentam os mesmos lugares que os seres humanos, com os mesmos direitos, já que também pagam impostos).

München tem um centro pequeno, apesar de ser uma cidade grande, mas espalhada. Tem bairros tão chics e caros que o metro quadrado chega a custar um salário mínimo brasileiro. Na Maximilianstraße, H&M e Zara dividem espaço com Gucci, Prada e outras marcas que minha cultura popular – ou falta de budget – não permitem pronunciar ou escrever o nome corretamente. A capital da Bavária (Bayer, em alemão) orgulha-se de ser o único estado do país a manter o mesmo território que tinha na época em que a Alemanha estava dividida em diversos reinos. Bayer nunca foi dividido ou desmantelado, para após acabar unificado em 1871, como os demais estados do país.

No centro de München, localiza-se a Münchner Residenz, palácio da época que haviam reis por aqui. Entrar no local, que é gigantesco e ocupa uma quadra inteira, é como voltar no tempo. Teria me sentido uma princesa, se não estivesse vestindo calças jeans.

O salão de baile da Residência Munique. Mesmo sem música, dá para imaginar um baile com todos vestidos de gala

Ao lado da Residenz fica o local onde Hitler tentou dar seu primeiro golpe de Estado, o chamado Putsch da Cervejaria, em 1923. Ele foi preso após a tentativa frustrada de derrubar a República de Weimar e escreveu partes do livro Mein Kampf (Minha Luta, em português) enquanto estava na prisão de Landsberg. Alguns turistas curtem fotografar no local. Eu achei desnecessário.

Mas nem tudo é apenas calmaria em Munique. Para quem quer fazer festa, basta seguir até o fim da Maximilianstraße, que desemboca na Maximiliamplatz. Ali é onde a noite acontece. As danceterias se empilham uma ao lado da outra. E tem para todos os tipos de gostos e bolsos. Há um bar pequeno chamado Lehnbachs que vale a pena conhecer. A cerveja custa em torno de 3,5 euros (a grande!), e as bebidas brancas saem por cerca de 6.

Na noite que lá fui, o local estava lotado. Eu e uma amiga nos dirigimos para o fundo do bar a procura de qualquer coisa para sentar ou se escorar. Duas meninas, que pareciam modelos da capa da Vogue, perguntaram se não queríamos sentar-nos com elas, pois havia duas cadeiras vagas na mesa. Achei estranho, pois em Berlin não é uma coisa comum alguém oferecer espaço a um desconhecido. Aliás, em Berlin ninguém puxa papo com ninguém – apenas os estrangeiros. Em München é diferente.

Segundo me informaram, e eu mesma pude verificar em um sábado à noite, um clube chamado 089 é o mais popular da cidade. Fica na Maximilianplatz. Nada de música eletrônica pesada – um respiro para meus ouvidos cansados do estilo musical berlinense. Ali também toca Pop. Para quem preferir outro estilo, basta caminhar um pouco para a direita que há uma danceteria de música eletrônica chamada Rote Sonne. À esquerda do 089, está a Pacha.

Para quem quer comer pedaços inusitados de um porco, tipo joelho e cotovelo, recomendo dois restaurantes abarrotados de turistas e super famosos: o Hofbräuhaus e o Augustiner (ambos possui cerveja de marca própria, engarrafada e distribuída por toda a Alemanha). Quem vai a München em outro mês que não seja Setembro, quando ocorre a Oktoberfest (sim, a Oktober é em Setembro), precisa ir à Hofbräuhaus para sentir o mesmo clima. De fato, é verdade. Os garçons são mais simpáticos que no Augustiner, e há música típica alemã o tempo todo – com gente balançando os canecos e gritando auf Deutsch. A refeição (jantar) com cerveja e gorjeta incluída sai por cerca de 20 euros – mas daí depende também de quantas cervejas se aguenta beber 😛

Está em Munique e não é tempo de Oktoberfest? Sem problemas! Há restaurantes que reproduzem o ambiente e comidas

A verdadeira sensação de estar no paraíso baixou em mim no domingo. Dia de sol e pessoas na rua. Calçadas lotadas. Inúmeras bicicletas. Um silêncio bom que faz bem aos ouvidos. Fotografei o rio Isar, que cruza a cidade. Construíram cerca de 20 pontes sobre ele. Em uma delas, alguns surfistas pegam onda todos os dias. Isso mesmo, os caras construíram uma espécie de arapuca que faz com que o rio gere ondas e ficam ali, o dia todo, todos os dias, surfando. Algumas pessoas decidiram fazer um churrasco no domingo de sol, no meio de uma das pequenas ilhas que se forma no Isar. Se aquilo não for o paraíso, não imagino o que seja.

Dia de sol é dia de churrasquear à beira do Isar. Aliás, dia de sol na Alemanha é dia de sair de casa e aproveitar ao ao livre

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